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Lusofonia digital: criar as conexões que ninguém espera

www.noocultures.info – O 56º Fórum Cultural da noocultures.info aconteceu online neste sábado, 21 de março de 2026. Organizado em parceria com a Lissangu, o encontro reuniu criadores de Angola, Moçambique e Brasil em torno da moderadora cabo-verdiana Divania Fortes. Juntos, eles levantaram uma questão incômoda: Porquê as produções em língua portuguesa continuam invisíveis e isoladas, mesmo partilhando uma história e desafios comuns? A resposta foi encontrada sem rodeios.
O designer e gestor cultural moçambicano Evaro de Abreu aponta uma contradição central. Os jovens passam a vida nas redes sociais, mas o que veem lá não se parece com eles. « O que ele vê lá, não é ele », lamenta. O perigo é acabar por desprezar a própria identidade ou a herança dos pais. Para ele, o digital deve servir para amplificar a nossa cultura em vez de copiar a dos outros.
Por sua vez, a escritora angolana Domingas Monte fala sobre o peso da língua. As grandes plataformas impõem o inglês ou o francês. Ela compara a situação dos criadores lusófonos a um « aquário » onde se acaba por andar em círculos, isolados do resto do mundo. Para sair deste aquário, a tradução e as alianças com outros media são agora vitais.
Agir com os próprios meios
O painel recusou-se a depender de ajudas externas. Esperar pelo apoio de governos ou multinacionais significa ficar parado no mesmo lugar. Domingas Monte apela ao uso dos nossos próprios recursos para criar locais de encontro. Ela cita a sua experiência como booktuber para mostrar que as redes podem quebrar a distância entre o autor e o seu público.
O artista brasileiro Marcelo Clapp vai mais longe. Não basta ocupar as redes sociais clássicas. É preciso inventar os nossos próprios espaços digitais. Lugares onde a língua portuguesa seja a base e onde a nossa cultura ocupe o centro. A ideia é usar o digital como uma montra, mas sem perder a alma.
A realidade do terreno
O debate permanece, no entanto, lúcido face aos obstáculos técnicos. É o princípio do « 50/50 » evocado durante as trocas. Se o digital permite visitar um museu do outro lado do planeta, ele esbarra sempre nos problemas de conexão ou na falta de equipamento.
Evaro de Abreu termina com uma interrogação que resume a urgência do momento. Porquê continuamos tão distantes apesar de tudo o que nos une? A lusofonia cultural é uma realidade, mas precisa ainda de aprender a escolher-se para construir as suas próprias pontes.
Artigo original em francês por Eustache AGBOTON, traduzido por Benilde MATSINHE ©www.noocultures.info






